::::: rogê millá girls :::::
(Costumamos dizer tantas coisas que desconhecemos. Você percebe como? Muito bem, você. Esse texto está repleto delas. Uma enciclopédia de coisas para falar sem ninguém para ouvir, você.)
O que é uma cidade? Eu tenho direito de não acordar? Quantos litros & tipos de água já bebi? Qual a melodia da flauta do mendigo debaixo do viaduto? Na estrada, quem é maior: uma mosca, uma pedra ou um caminhão? Quanto custa uma próstata no mercado negro? Poderia presentear as mulheres com. Ao menos para confortar Fran, que perdeu o carro numa enxurrada. Isso mesmo. Quantos engarrafamentos já pegou? Quem inventou a rede de pescar? Mas antes, bem antes, quando alagaram o motel. No tempo em que Picles e Mamífero estavam namorando. Anna M. era o padre. Edineide era o juiz. Samantha era o demônio. E eu descobria o gosto da bebida, da comida. A textura de mais bebida. O cheiro do beijo, do suor. O retrogosto do cuzinho. O gosto do sangue, do ferro enferrujado. O aroma imaginário do café. E o odor das casas de carne? O barulho dos pompons das líderes de torcida. O barulho das sandálias baratas no asfalto ruim. O barulho do pisca alerta ligado. E se repete. E eu descobria. Il y a beaucoup de quelque chose. O barulho dos pássaros no rádio, assim que a freqüência anoitece. As sensações que você quer manter. A visão do redemoinho saindo de dentro da cabeça – ainda fechada. Quase todo o vórtice mental, quase toda a falta de informação antes de encontrar Rogê Millá assim que o sol esmorece. Mas antes, bem antes, darling said sir, you hurt my eyes, as garotas de sua rua aparecem nos rodapés dos aros dos meus óculos. Maléficas sereias pestilentas, náufragas aguardando resgate que virá de um confiável monge incapaz de encontrar o caminho da irmandade.
– Poderiam me fazer um favor? – fingi-lhes estar ali pela virginal vez, porque eu, em órbita, sabia quem elas eram, e saber isso não era nada bom.
– Aonde você quer ir? – disse uma, em nome de todas, de todas bastante solícitas, sorrindo obrigados e tambéns e sins e “nós estamos aqui para isso, estranho” – Diga-nos, por favor. Onde?
– Direto ao teu coração. Qual o caminho mais rápido?
[...]
Depois disso foi como se eu ficasse invisível aos olhos convencionais.
Exceto para você – que, sin embargo, é como eu, só que melhor.
(Costumamos dizer tantas coisas que desconhecemos. Você percebe como? Muito bem, você. Esse texto está repleto delas. Uma enciclopédia de coisas para falar sem ninguém para ouvir, você.)
O que é uma cidade? Eu tenho direito de não acordar? Quantos litros & tipos de água já bebi? Qual a melodia da flauta do mendigo debaixo do viaduto? Na estrada, quem é maior: uma mosca, uma pedra ou um caminhão? Quanto custa uma próstata no mercado negro? Poderia presentear as mulheres com. Ao menos para confortar Fran, que perdeu o carro numa enxurrada. Isso mesmo. Quantos engarrafamentos já pegou? Quem inventou a rede de pescar? Mas antes, bem antes, quando alagaram o motel. No tempo em que Picles e Mamífero estavam namorando. Anna M. era o padre. Edineide era o juiz. Samantha era o demônio. E eu descobria o gosto da bebida, da comida. A textura de mais bebida. O cheiro do beijo, do suor. O retrogosto do cuzinho. O gosto do sangue, do ferro enferrujado. O aroma imaginário do café. E o odor das casas de carne? O barulho dos pompons das líderes de torcida. O barulho das sandálias baratas no asfalto ruim. O barulho do pisca alerta ligado. E se repete. E eu descobria. Il y a beaucoup de quelque chose. O barulho dos pássaros no rádio, assim que a freqüência anoitece. As sensações que você quer manter. A visão do redemoinho saindo de dentro da cabeça – ainda fechada. Quase todo o vórtice mental, quase toda a falta de informação antes de encontrar Rogê Millá assim que o sol esmorece. Mas antes, bem antes, darling said sir, you hurt my eyes, as garotas de sua rua aparecem nos rodapés dos aros dos meus óculos. Maléficas sereias pestilentas, náufragas aguardando resgate que virá de um confiável monge incapaz de encontrar o caminho da irmandade.
– Poderiam me fazer um favor? – fingi-lhes estar ali pela virginal vez, porque eu, em órbita, sabia quem elas eram, e saber isso não era nada bom.
– Aonde você quer ir? – disse uma, em nome de todas, de todas bastante solícitas, sorrindo obrigados e tambéns e sins e “nós estamos aqui para isso, estranho” – Diga-nos, por favor. Onde?
– Direto ao teu coração. Qual o caminho mais rápido?
[...]
Depois disso foi como se eu ficasse invisível aos olhos convencionais.
Exceto para você – que, sin embargo, é como eu, só que melhor.




















