Ele foi embora, e só voltou quando eu já tinha me decomposto. É claro, não fui bom banquete pros vermes: minhas certezas eram artesanais. Ele me deixou, e só voltou para buscar meus ossos. Colocou-os dentro da fronha, do embrulho da espera. Agora ele dorme, agora ele continua dormindo abraçado comigo, que sou seu travesseiro, que sou seu cemitério. Quando ele tem insônia, nós nos deitamos no gramado. Ele acaricia as falhas da minha coluna, brincando de tear, enquanto finjo que amarro seu cadarço, que sou seu sonífero, que risco a pupila do céu.
(feito com a letra dela.)
3 comentários:
uma medalha pra quem resolver.
inspira-dor...
é quase provar agua do mar. é quase se jogar contra o vento.
Postar um comentário