::::: i walked with a zombie :::::
Deglutia minha mojica de pintado predileta, à cuiabana, quando não me contive e, sem me virar, ouvi conversa alheia. Assim, em segredo, por desvio, comecei a transcrever o diálogo entre as duas pessoas de vozes animalescamente distintas.
Deglutia minha mojica de pintado predileta, à cuiabana, quando não me contive e, sem me virar, ouvi conversa alheia. Assim, em segredo, por desvio, comecei a transcrever o diálogo entre as duas pessoas de vozes animalescamente distintas.
– Você caminha para encontrar sentido, sentido para aquela sensação que te acerta quando você não caminha, quando está parado como um galho quebrado, e você encontra sentido algum em se mover, a não ser que seja uma canoa.
– Então você se move até encontrar o sentido de não remar, tentando não pensar na inquietude dos peixes, você tenta simplesmente não se molhar demais e tenta dissecar o rio de sentidos únicos que passa pelo teu corpo de madeira.
Tamanho devaneio seria um ótimo ingrediente para minha satisfação durante o pós-operatório deste hábito diário de indigestão de resíduos. Entretanto, veloz carro “desterritorializado” atravessou cegamente o pátio do posto de gasolina que, da sacada do restaurante, meus cílios alcançavam. Com humor duvidoso vindo do motor, o veículo deitou o letreiro dos preços como faria um estuprador a vitima. Parei as anotações, virando-me para ver se o público (dois rostos apáticos emoldurados por espessa fumaça uivando longas frases) também se interessava por. Os pneus rangeram e a porta do carro foi fechada com convicção. Mas me mantive inerte até discernir quatro olhos faiscantes atrás daquela cortina tóxica. Tornei a me virar. Uma mulher musculosa subia as escadas. Passou rente a minha mesa. Seu celular tocou um antigo sucesso. Levantei-me, e, chamando sua atenção, lhe perguntei se precisava de ajuda.
– Sim, com o saco de pancada no porta-malas.
– Cá estou.
Ela sorriu como uma lata de sardinha aberta da maneira errada e, para me transformar em fiel zumbi, me introduziu as cicatrizes e aos calos de suas mãos de concreto.
– Então você se move até encontrar o sentido de não remar, tentando não pensar na inquietude dos peixes, você tenta simplesmente não se molhar demais e tenta dissecar o rio de sentidos únicos que passa pelo teu corpo de madeira.
Tamanho devaneio seria um ótimo ingrediente para minha satisfação durante o pós-operatório deste hábito diário de indigestão de resíduos. Entretanto, veloz carro “desterritorializado” atravessou cegamente o pátio do posto de gasolina que, da sacada do restaurante, meus cílios alcançavam. Com humor duvidoso vindo do motor, o veículo deitou o letreiro dos preços como faria um estuprador a vitima. Parei as anotações, virando-me para ver se o público (dois rostos apáticos emoldurados por espessa fumaça uivando longas frases) também se interessava por. Os pneus rangeram e a porta do carro foi fechada com convicção. Mas me mantive inerte até discernir quatro olhos faiscantes atrás daquela cortina tóxica. Tornei a me virar. Uma mulher musculosa subia as escadas. Passou rente a minha mesa. Seu celular tocou um antigo sucesso. Levantei-me, e, chamando sua atenção, lhe perguntei se precisava de ajuda.
– Sim, com o saco de pancada no porta-malas.
– Cá estou.
Ela sorriu como uma lata de sardinha aberta da maneira errada e, para me transformar em fiel zumbi, me introduziu as cicatrizes e aos calos de suas mãos de concreto.
2 comentários:
Seu fofoqueiro...
já falei que existe todo tipo de diálogo, rs.
cite-os, em ordem cômicológica, muzu.
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