segunda-feira, 18 de junho de 2012

mens sana in corpore sano



Mens sana in corpore sano? Qual! O corpo, quando doente, permite mais capacidade de clareza à mente. Portanto, aprisionar um pode aperfeiçoar o outro. Deixa ver se desenvolvo.
À tarde, choveu. Isso automaticamente quer dizer que algum ponto da cidade ficou alagado. Passei por um deles porque precisava comprar remédios. Na pista, um laguinho formado por – é óbvio – falta de pagamento do IPVA, agravou meu estado febril. Atravessando-o com os vidros fechados, vi esse garoto que sequer erguera as barras da calça para, a pé, fazê-lo. Parei o carro. Fiz sinal. Ele embarcou pela porta traseira, sentando-se logo atrás de mim. Ficou lá no banco, silencioso. Avancei devagar, massageando o acelerador, tentando ganhar tempo para fitá-lo no retrovisor. Quando saímos da malfadada região, eu mal tinha visto metade de seu rosto. Disse-me: “Aqui está bom.” “Tem certeza?” Mas não houve resposta. O sujeito desceu sem dar um grunhido adicional.
Segui meu caminho adoentado até o palacete da farmacologia. Lá, não me atrevi estacionar em vaga de idoso. Deixando o bom-mocismo de lado, conclui, a diferença entre uma pessoa boa e uma ruim é que aquela sabe o que é compromisso enquanto essa, não. Por isso, quando minha vez de enfrentar a saraivada de pingos chegou, aceitei. Voltei ao volante cronicamente ensopado, mas algo contente. No caminho de volta, pensava na severa condição de homens como Sasaki Kojiro e Stephen Hawking até reencontrar o garoto. Vendo-o de frente, lhe dei pouco mais de meia dúzia de anos. Desta vez, mão dada com uma garota, me mostrou os dentes. Para não molhá-los, desviei das poças, enquanto os observava desaparecer na felicidade chuvosa do retrovisor.



2 comentários:

Loreci Demeneghi disse...

Como eu disse, gosto dos seus textos porque eles me inspiram. Principalmente a sair do quadrado.

fochesatto disse...

( :