quinta-feira, 14 de junho de 2012

entrevista - dia nacional dos quadrinhos

 
 

HQ nacional comemora seu dia

Hoje é o Dia Nacional dos Quadrinhos. Contando histórias em imagens sequenciais, os HQs se tornaram um dos maiores símbolos da comunicação de massa contemporânea, fazendo circular por todo o mundo uma infinidade de narrativas povoadas por heróis, vilões e personagens acompanhadas por diferentes gerações.
Enquanto conceito, os quadrinhos remetem à transmissão de mensagens por imagens ainda na Pré-História, quando o homem retratava as suas caças e crenças sobrenaturais nas paredes das cavernas. No entanto, enquanto gênero que carrega a forma atual da junção de texto verbal e do desenho, os HQs se desenvolvem já no final do século XIX, sob especial influência da produção dos Estados Unidos, onde levam o nome de Comics. 
A agilidade narrativa, a grande proximidade da linguagem oral, o efeito expressivo alcançado pelo estilo de cada autor fizeram deles publicações que atraíram grandes públicos de diferentes idades e interesses. O tempo fez com que extrapolassem as páginas para ganhar movimento. ‘Homem-Aranha’, ‘Super-Homem’, ‘SinCity’, ‘Batman’ e ‘X-Men’ são algumas das histórias que começaram no papel para depois alavancar milionárias bilheterias no cinema.
Mas não há só as narrativas que se tornaram produções hollywoodianas, os quadrinhos são leituras populares no Japão, que não para de produzir mais mangás, em Portugal, lugar em que são chamados de ‘bandas desenhadas’ e como não lembrar da perspicaz Mafalda do cartunista argentino Quino?

Daqui

E têm quadrinhos de Cuiabá. Danilo Fochesatto e Júlio Custódio finalizaram o roteiro da revista ‘Lava Lamp = um curso de entropia’. A publicação é um grande apanhado sobre folclore, ciência e outros temas. Na definição de Danilo, “É um avalanche de ideias, um caos; assim como trabalho pode ser completamente convertido em calor – e não o contrário: não há regionalismo que não possa ser convertido em inconsistência numa obra escalonada, semi-complexa e com tendências unilaterais pela entropia”.
Roteiro pronto e storyboard feito até a página 100, a revista precisa ainda de desenhistas para finalizar o que foi esboçado. Os autores pretendem fazer três edições com aproximadamente 150 páginas cada. 
O grupo de pesquisa artística Arte Negus também tem explorado o gênero, tematizando a história mato-grossense. Augusto Figliaggi e Elaine Guarani lançaram em dezembro do ano passado a revista ‘Paiaguá-Donos do Rio’,que conta a história do massacre dos índios Paiaguá no século XVIII em quadros cheios de cores e dinamismo.


* Texto de Andreza Pereira, publicado no jornal Folha do Estado, edição 5692, de 30 de janeiro de 2012.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

num tempo que é arcaico e árduo


Se você nunca ouviu falar do diretor húngaro Béla Tarr é porque nem Gus Van Sant ao traduzi-lo para o “american cool way of life” conseguiu popularizá-lo. Historicamente, quando Tarr ultrapassou a fase Cassavetes de drama familiar, ele foi parar numa espécie de “Platô Tarkovsky” alegando que na verdade a maior influência em seu trabalho – a maestria na direção de cena – viera de Fassbinder. O que isso significa? Na verdade é muito simples. É um cinema cru, de montagem linear, rigoroso à exaustão. Com tempo de repouso outro; o mesmo da vida. Para o cinema isso é arcaico, pouco válido e muito árduo, mas tal narrativa emerge da pura contemplação do real como este se dá. Não tem excesso. De informação, principalmente. O que te dá espaço para pensar. Sem efeitos especiais, isento de exageros, ainda que com longas cenas, nas quais você tem oportunidade de ser transportado onde os homens são comparados com animais expostos. Ah, é apenas outra espécie de velocidade entediante, dizem. Contra estes que ousam dizer que em seus filmes nada acontece, basta indagar: acha mesmo que deter-se quarenta minutos para dar boa noite ao cavalo é um desperdício?
Deste modo, seria complicadamente chato falar do “realismo social metafísico” em Tarr sem assisti-lo. É bom ter algum preparo para assistir seus filmes. E, afinal, não serei eu o responsável por facilitar as coisas impossíveis. Tendo em vista esta singularidade, tomei o filme “As Harmonias de Werckmeister” (2000) e resolvi abordá-lo de modo também particular, qual um passeio de imersão.
Seus créditos não erram; são classudos: meros caracteres brancos sobre fundo negro. Em decorrência disso, me pergunto em que tempo estariam situados os rótulos se eles fossem feitos assim, apenas em preto e branco. Não há tempo para responder, porém. “São dez horas. Vamos fechar. Vamos, Valuska! Mostre!” Tarr, num movimento geral de acontecimentos, como se visse uma baleia morta ao amanhecer, como se o mundo estivesse eclipsado de cabeça para baixo, sob a escuridão silenciosa da música que toca, digamos, à uma da tarde, enquanto o sol se curva lá fora e expulsa os bêbados, mostra que alimento de cor é o calor no campo do visível.
O filme (até aqui e adiante) consiste em planos-sequências, em tempos mortos orquestrados que, caso estivessem separados, ainda seriam mais densos e resolvidos que um saco de lixo de diversas obras. Aliás, algo a dizer todo mundo tem, já que entupir os tímpanos de lodo é bem fácil. Não é nesse sentido que Béla Tarr se destaca. Ao basear seus filmes em textos do escritor e amigo László Krasznahorkai, ele potencializa a cadência da literatura no cinema. Isso não é novidade, claro. Entretanto, o contexto e a forma que ele utiliza para aplicar isso aos seus filmes é que os faz deveras recomendáveis.
Voltando a pletora mnemônica destas “Harmonias” – que são baseadas na novela “A Melancolia da Resistência” (1989) daquele Krasznahorkai –, estamos diante da analogia de um circo que traz algo fantástico, que entretém; algo que está morto e te olha de dentro, bem de dentro. Uma vez no fundo, te faz acender um fósforo, pensar outra vez e experimentar a sensação de súbita perda de fôlego ao lado de Valuska e da baleia. Em seguida, vamos à casa do sapateiro, tio Lajos. Ao seu lado, recebemos uma visita. Esta, na ponta da língua, traz um marido que diz que vai embora, mas que se você for um espião atento o verá vasculhando os escombros da própria cidade. Compreensível, acredite. Às vezes temos que fazer alguma coisa para continuar a não fazer nada, como antes. Em particular, acho que meu tio não me entenderia muito bem agora. Mesmo se eu lhe dissesse que estou muito cansado, e não preciso de ajuda, como essas personagens sofridas fazem. Não vou negar que é difícil compreender que um machado só precisa aparecer uma única vez para mostrar sua personalidade. Tampouco sustentarei que é “melhor ouvir do que tocar; melhor falar do que ranger.” Eu... Eu rezo em perguntas. E “por um momento de loucura qual preço devo pagar?” Valuska, ele chora ao espiar respostas pelas quais pagou 100 florins que cheiram mal. Tanto melhor! Sem isso um adeus humilde cheio de dinheiro não faria tão bem quanto a brancura de um pouco de ar fresco.
A essa altura, como não posso “desenhar” pegadas sem o auxílio da tabela ASCII, sou incapaz de representar a cena meditativa preferida de Béla Tarr. Imagem de passos e de rastros, da caminhada e da pegada. Uma marcha de conquista; marcha pesarosa. Bem demorada, pra variar. Ah, os problemas se amplificam com o vento, e as cinzas das blasfêmias encobrem os sorrisos de carvão. Os aristocratas têm empregados; não fazem comida. Como nós, eles vivem de caridade. Nessa cidade, as pessoas agarram-se ao que aparece. À lama, muitas vezes. Meu tio continua sem entender; nunca ouviu falar dessa Hungria demoníaca. Mesmo se lhe dissesse que Tarr denuncia a pobreza e as riquezas de seu povo ao mesmo tempo; que ambos beijamos nada além de signos humanos. Sim, Tarr é duro. As crianças dele também são duras com você. Ora, não vamos julgar que são tão maus! Elas são lindas, autênticas e explosivas. Para elas compusemos um hino nacional, János Valuska. Quando se tornarem pais, dançarão com armas na mão e abraçarão suas esposas. Só não desejo isso agora. Portanto, não vá, János. Lá, o voo de um helicóptero é mais que uma aproximação. “Isso não é da nossa conta. Terão que trazer o exército. Não há nada que podemos fazer.” Nessa cidade, a traição faz a fêmea.
Víg Mihály cuida da trilha sonora – afinado qualquer instrumento não é difícil de ser tocado, certo? Figura chave da banda Balaton, Mihály tem colaborado com temas facilmente decoráveis, e belos, e tristes, para os arrastados filmes de Béla Tarr. A propósito, “tenho que esclarecer isto para que não fique dúvida; que não é um problema técnico, mas uma questão filosófica. De modo que o sistema tonal em questão, por investigação, nos conduziu inevitavelmente a uma prova de fé.” Coloque a culpa em animais, nas alegorias do diretor, quem sabe no próprio escritor. Isente o príncipe. “Vai tomar no cu!” “O príncipe não saberá nada de nada, mas ganhará dinheiro.” Devagar, isso pode assustar alguém, tio Lajos. Nunca se está seguro num compromisso, imagina na memória. Tio, me ouve, ficou claro ou até aqui nada? Sim! Com o passar do tempo, eu vejo. São elas, as horas. Para elas não importa qual a causa, desde que seus ponteiros se movimentem. Onde isso termina? Nessa astrologia, havendo matança ou incêndio, por um saco de batatas uma mulher te ama por muitas e muitas noites. Assim seguimos, em preto e branco.
De manhã, sentado na cama, redescobrimos que János simplesmente assistiu a tudo. E parece que sobreviveu. Da mesma janela que você, como testemunha. Atrasado, o ser humano demora um tempo mais do que necessário para reconhecer a si mesmo. No outro. Aí já é tarde! Todos voltam às camas duras e geladas. “Não reconhecem nem ao homem nem a Deus.” Por conseguinte, “nada mais importa, de verdade.” Ao fim, calha ainda dizer que foram os cento e quarenta e cinco minutos mais heterossexuais do cinema.


terça-feira, 12 de junho de 2012

ao toque de três diálogos



Foi em um dia perfeitamente seccionado em três. Bastante comum, certamente, já que estamos acostumados à divisão celular desde a corrida espacial pela conquista da vida que culminou na chegada ao óvulo. Alguns hão de discordar do silogismo, mas a partir de então nascemos para praticar um reducionismo que pode ser resumido na divisão e multiplicação de tais ciclos simbólicos em:
1) Manhã – Cheguei ao ponto de ônibus excluído de qualquer contexto (meu tempo, minha medida). Procurando uma sombra calma que atenuasse a autoridade desagradável do sol, me posicionei no fim de uma fila de, hã, humanos. À frente, um exemplar de gênero indefinido interrogava seu conselheiro.
– Que qu’eu faço quanto a isso?
– Abre um blog, cara.
– Ah, já tenho.
– Então sei lá. Arranja uns seguidores. Talvez assim as coisas mudem.
– Pô, eu gostava mais quando cê dizia qu’eu tava errado.
2) Tarde – Durante almoço, não consegui deixar de pensar em um livro empirista de autoajuda que ensinasse o leitor a registrar tudo que sentisse durante o dia (em tempo: recordações metafóricas com prazo de validade expirados, a não ser que registradas). Mais tarde (sedimentado o momento, efetivado o crivo do tempo), o indivíduo revisaria a lista e atribuiria os valores corretos aos fatos passados. Contudo, o adjetivo “correto”, no plural, me deu vertiginosa sensação de inexatidão, no singular. Afinal, a ideia era pretensiosa ao ridículo. Puro pedantismo de periferia filosófica. Faltava adubo nela. Então, mandei vir suculento bife acebolado que me fizesse esquecê-la. Triturando-o com coragem filantrópica, fiquei cara a cara com uma colorida e sorridente adolescente e seu executor ascendente. Não sei se estavam entre família ou “entre família”. A mim, parecia que a conversa envolvia todas as árvores genealógicas.
– Pai, o que é CNPJ?
– Abaixa as calças que eu vou te mostrar.
– Mas tá todo mundo olhando!
– Faz parte da etiqueta, minha filha.
3) Noite – Após tanta subdivisão, G1, S, G2, anáfase e o escambau, eu já emitia bocejos aos poucos. Profundos e experientes. Um, dois, quatro, oito e assim por diante. Contra esse tipo de acordo biológico, me propuseram um escapismo cereal. Deixamos a sala de aula para ir ao Bar do Bigode ensopar nossos cavanhaques. Ali, estourando buquês engarrafados, um estranho sujeito conhecido tentava formar par com a mocinha cromossomicamente mais bem feitinha da paróquia alcoólica. Ele estava armado, e disparava feito o Robin Hood dos poetas: tirando lirismo dos ricos e doando ao seu pobre amor.
– Posso te passar uma cantada ou você prefere um acordo?
– Desculpe, mas prefiro um acordo.
– Você não me olha que eu não te vejo.
– Ok! E a cantada?
– Você não me olha que eu não te vejo.
– Impressão minha ou dá no mesmo?
– É que, ao seu respeito, tenho ideias repetidas na cabeça.
– Hã?
– No começo pode parecer estranho, mas depois você aceita, e engravida.
– Não tô te entendendo!
– Mulher, enquanto você não pururucar eu não vou parar de te atiçar.
[...]
Considerando, uma após outra, as sentenças morais do dia, o apego descabido às memórias, os ciclos sucessivos dentro de outras estruturas contendo outros ciclos alegóricos e examinando decentemente tais coisas, senti um nauseabundo efeito dominó, uma mescla de premissas sem conclusões ou com três torções estomacais ou três diferentes acepções: 1) a pobreza de ontem era maior; 2) a fortuna de hoje é menor e 3) só teremos amanhã quando amanhecermos para o desconhecido. Ademais, nada de grave e incoerente; soa puro, o contentamento sem coerção. Especialmente pelo fato de o estômago se fortificar por meio do vozerio estrangeiro, vizinho. Quero dizer, levando em consideração todo esse microscópico barulho, nós somos meros, hã, seres, e, dentre estes, quem pede pra fazer silêncio faz mais barulho do que quem não pensa.

RE: FWD: I a VII

Disclaimer:
"RE: FWD:" is sort of a remix project. In fact, it's more like a message being duplicated, overlaid and resent. Living all alone in his own little cloud. Watching our education passing through other peoples production. With no script at all, just syntax like hell.

Trato, portanto, de mensagens duplicadas, justapostas e reenviadas.

"A Indústria Cultural acaba por colocar a imitação como algo de absoluto: belo é tudo que a câmara reproduza. [...] O que é salutar é o que se repete, como os processos cíclicos da natureza: cada filme é um trailer do filme seguinte. [...] E a repetição universal dos termos designando as decisões tomadas torna-as por assim dizer familiares, do mesmo modo que, na époda do mercado livre, a divulgação do nome de uma mercadoria fazia aumentar sua venda. Os espectadores devem se alegrar com o fato de que há tantas coisas a ver e a ouvir."
Theodor Adorno & Max Horkheimer em Dialética do Esclarecimento - Indústria Cultura. O Esclarecimento como Mistificação das Massas, 1947.



                        
                        
                        
                                               

segunda-feira, 11 de junho de 2012

iura in re aliena XXIII (...) XXIX

    Das coisas que (mutilei) adulterei.

  
             
             
                            

vox dei erga omnes XIV


E depois que o dilúvio recuou, Noé sacrificou a Deus alguns dos mesmos animais que salvou na arca. E o aroma da carne foi agradável ao Senhor. (Gênesis 8:1-22).
E talvez em homenagem ao “fato”, também à retomada do blog, fiz um churrasco lá em casa. E ele foi aos moldes pacíficos da Tribo de Levi, é claro. (Levítico 9:1-24)

domingo, 14 de agosto de 2011

quod erat demonstrandum XXXI (...) XLIV

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e se repete, e se repete, e se repete...

rt resenhas no diário de cuiabá











Filme:

Texto:










O Diário de Cuiabá está me dando o golpe?
Por supuesto.
E meu grito de dependência é: comparar e criticar!

rt dilbert