Não quero me empolgar com esse vício. Passei da idade de. Tampouco desejo me passar por Pedro Moura. Não tenho cacife ou verborragia para. Mas vamos lá, vamos para outra sessão de bons quadrinhos selecionados com carinho pelo Sokezato-san aqui.
Adquiri esta obra de arte pelo site da Livraria Cultura. Demorou um bocado para chegar, assim como todos os itens importados deles. Cada dia de espera valeu a pena. Là Oú Vont Nos Péres do australiano Shaun Tan teve sua primeira tiragem em 2007 e saiu pela editora Dargaud (dêem só uma checada no site e vejam a quantidade monstruosa de autores publicados). Não tem muito que dizer além de elogios boquiabertos quanto a este título. São silenciosos desenhos hiper-realistas que contam determinado trecho da vida de um imigrante à procura de um lugar melhor para viver. O conceito de estrangeiro talvez nunca deixe de ser debatido entre filósofos expatriados ou músicos clandestinos ou garotas de programa, porém, em The Arrival (título em inglês do livro) essa mudança de território ganha proporções fantásticas quando o personagem vai parar num lugar completa e absurdamente diferente do de sua origem. Quer dizer, aparentemente. Pois ele se acostumará, se adaptará àquilo. Mais a frente sua família se juntará a ele. Então, o leitor imediatamente associará passagens do passado às novas características do cotidiano nos quais eles estão inseridos. Por último quero lamentar não ter tido paciência para escanear decentemente a imagem da nuvem gigante "esmagando" o navio dos imigrantes (amostra 04) e a subseqüente passagem do tempo marcada por duas páginas inteiras de retratos de nuvens. É simplesmente magnífico, mas penoso demais para que eu digitalize. Como McArthur já profetizou certa vez: aqueles que escaneam livros e disponibilizam na internet tem lugar garantido no paraíso. Quem sabe como é, há de convir que essa é uma atividade miserável.

Adquiri esta obra de arte pelo site da Livraria Cultura. Demorou um bocado para chegar, assim como todos os itens importados deles. Cada dia de espera valeu a pena. Là Oú Vont Nos Péres do australiano Shaun Tan teve sua primeira tiragem em 2007 e saiu pela editora Dargaud (dêem só uma checada no site e vejam a quantidade monstruosa de autores publicados). Não tem muito que dizer além de elogios boquiabertos quanto a este título. São silenciosos desenhos hiper-realistas que contam determinado trecho da vida de um imigrante à procura de um lugar melhor para viver. O conceito de estrangeiro talvez nunca deixe de ser debatido entre filósofos expatriados ou músicos clandestinos ou garotas de programa, porém, em The Arrival (título em inglês do livro) essa mudança de território ganha proporções fantásticas quando o personagem vai parar num lugar completa e absurdamente diferente do de sua origem. Quer dizer, aparentemente. Pois ele se acostumará, se adaptará àquilo. Mais a frente sua família se juntará a ele. Então, o leitor imediatamente associará passagens do passado às novas características do cotidiano nos quais eles estão inseridos. Por último quero lamentar não ter tido paciência para escanear decentemente a imagem da nuvem gigante "esmagando" o navio dos imigrantes (amostra 04) e a subseqüente passagem do tempo marcada por duas páginas inteiras de retratos de nuvens. É simplesmente magnífico, mas penoso demais para que eu digitalize. Como McArthur já profetizou certa vez: aqueles que escaneam livros e disponibilizam na internet tem lugar garantido no paraíso. Quem sabe como é, há de convir que essa é uma atividade miserável.


Antes do próximo tópico, direi que percebo certo padrão criado sem premeditação entre esse post e o post anterior. Começa-se com uma obra-prima. Segue-se com depravação. Finaliza-se com obras similares. Ok. Fim do intermezzo.
Agora posso apresentar algo a respeito de Hideo Yamamoto. Isso mesmo, seguindo a programação ditada acima, veremos imagens fortes (?) aqui. Portanto, traga as crianças até a sala. Ah, e depois de folhear tais páginas virtuais do tankobon de Homunculus n.05 (2005, Panini Comics), será exibido o filme baseado noutro mangá de Yamamoto e dirigido pelo carniceiro do Takashi Miike. Mas antes disso, antes que me esqueça, aplausos para a velocidade e os paralelos que o autor conseguiu imprimir nessa amostra da narrativa. Estendendo as congratulações, ressalto dois detalhes da página que numerei como seis: (1) o olho virando para buscar no cérebro informações a respeito de algo sentido (olfato, no caso) e logo em seguida (2) a imagem de um passado misterioso que aparece no líquido na palma da mão e se reflete nos olhos (estímulo visual, nesse caso). Interessante o que uma gozada pode representar - e as luzes que uma gota dela ou de sangue podem trazer para a vida alheia. E pelamor de Dioi! Sentido oriental de leitura, ok?





Mais italianos? Sim, e só porque italiane parla con le mane. Estigmas é outro grande lançamento da virada do século (1999) da Conrad. Li há muito tempo essa estória de um derrotado que vai até o fundo e volta para contar as atrocidades que passou. Separei a seqüência final porque é algo deveras fantástico, que o Ginko Biloba nunca deixará queu mesqueça e venha a questionar-me por dentro: Ma che merda è questa, Dio lazarone? Dica do Foche. Brincar de passar rapidamente as imagens da neve cobrindo a cidade como se fosse uma (primitiva) animação.


"Vamos rápido com isso!", latiram-me.
Bem, e como prometido, o bônus. Outra vez por semelhança. Isso fica por conta do sul-coreano Derek Kirk Kim e seu livro Same Difference and other stories (2004, Top Shelf Productions) que tem um final tão significativo quanto o de Mattotti. A diferença é que Derek é meu chapa. Enviou-me um cartão de presente e eu o deixo pregado na porta da geladeira. Talvez para me lembrar que o mundo é um cu que às vezes cheira bem, às vezes cheira mal.
Agora posso apresentar algo a respeito de Hideo Yamamoto. Isso mesmo, seguindo a programação ditada acima, veremos imagens fortes (?) aqui. Portanto, traga as crianças até a sala. Ah, e depois de folhear tais páginas virtuais do tankobon de Homunculus n.05 (2005, Panini Comics), será exibido o filme baseado noutro mangá de Yamamoto e dirigido pelo carniceiro do Takashi Miike. Mas antes disso, antes que me esqueça, aplausos para a velocidade e os paralelos que o autor conseguiu imprimir nessa amostra da narrativa. Estendendo as congratulações, ressalto dois detalhes da página que numerei como seis: (1) o olho virando para buscar no cérebro informações a respeito de algo sentido (olfato, no caso) e logo em seguida (2) a imagem de um passado misterioso que aparece no líquido na palma da mão e se reflete nos olhos (estímulo visual, nesse caso). Interessante o que uma gozada pode representar - e as luzes que uma gota dela ou de sangue podem trazer para a vida alheia. E pelamor de Dioi! Sentido oriental de leitura, ok?





Mais italianos? Sim, e só porque italiane parla con le mane. Estigmas é outro grande lançamento da virada do século (1999) da Conrad. Li há muito tempo essa estória de um derrotado que vai até o fundo e volta para contar as atrocidades que passou. Separei a seqüência final porque é algo deveras fantástico, que o Ginko Biloba nunca deixará queu mesqueça e venha a questionar-me por dentro: Ma che merda è questa, Dio lazarone? Dica do Foche. Brincar de passar rapidamente as imagens da neve cobrindo a cidade como se fosse uma (primitiva) animação.


"Vamos rápido com isso!", latiram-me.
Bem, e como prometido, o bônus. Outra vez por semelhança. Isso fica por conta do sul-coreano Derek Kirk Kim e seu livro Same Difference and other stories (2004, Top Shelf Productions) que tem um final tão significativo quanto o de Mattotti. A diferença é que Derek é meu chapa. Enviou-me um cartão de presente e eu o deixo pregado na porta da geladeira. Talvez para me lembrar que o mundo é um cu que às vezes cheira bem, às vezes cheira mal.

Alors, passez le mot!
* imagens: os créditos foram todos distribuídos no texto, eu acho.
2 comentários:
ouunn...
massa cara.
Este blog ta meneiro.
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