terça-feira, 16 de novembro de 2010

ex animo dicere CXXIV


* imagens: com um ímã ideológico, pesquei no aquário do teu umbigo.


"À procura de cenas tropicais e aspectos emocionantes da vida primitiva, três mil turistas americanos chegam a Honolulu. Ansiosos por experiências românticas e imprevistas aventuras, seguirão a programação da Hawaiian Travels Organization que por apenas $4,000 organiza 10 dias de férias excitantes [...] A primeira página do longo programa da Hawaiian Travels diz que a cerimônia do desembarque será num charmoso local, numa atmosfera hawaiana, de acordo com os costumes românticos desta ilha do amor. Assim a direção da companhia pede as senhoras que não tenham ciúmes da atenção que as belas garotas hawaianas dispensam aos seus maridos. O fotógrafo da companhia fornece aos turistas provas fotográficas, mostrando sua chegada, de acordo como previsto no programa, com sorrisos e colares de flores dados pelas lindas garotas hawaianas com amável generosidade. O guia fornece ao turista dados fundamentais sobre os costumes deste paraíso tropical. Ele diz: 'Senhoras e senhores, o destino foi generoso permitindo que tivessem o privilégio de visitar esta ilha antes que fosse tarde demais. As belas mulheres que veem aqui são as últimas de uma espécie em extinção. É uma pena que não entendam nada desse doce idioma. Elas cantam: Bem-vindo, forte e belo homem branco. Bem-vinda, bela e sedutora mulher branca. Você me ensinará o segredo da elegância com que seduz os seus homens, e eu ensinarei o segredo da dança com que seduzo os meus. Vamos, venham aprender a Hula. Senhoras e senhores esta é a Hula. Acham a Hula difícil demais? Claro, senhoras e senhores, mas nada na vida é impossível, como dizia Abrahan Lincoln. Olhem esta dançarina. É a melhor da ilha. Mas quando era criança foi afetada pela poliomielite. Sabem o que desenvolveu seus membros paralisados? A Hula, senhoras e senhores. A Hula e sua determinação.' Eles ouviram, aplaudiram e se divertiram, exatamente como estava escrito no programa. E como o programa recomenda, agora vão aprender a Hula bem atentamente. Acreditam na Hula, e na felicidade de outras pessoas. Esta geração jovem, que já trabalhou duro, que agora, com os primeiros sintomas da artrite, acredita neste paraíso tropical que eles mesmos destruíram, e onde hoje a única dança indígena genuína é esta que estão assistindo", disse-me o cínico e feroz narrador deste Mundo Cão.


E allora, Dio cane?

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