"Descendo de volta à planície, seguiu uns salgueiros que margeavam uma ribeira. Voando muito baixo, passavam grous, de quando em quando, por cima de sua cabeça. Julien derrubava-os com o chicote, e nenhum lhe escapou. No entanto, o ar, mais tépido, tinha derretido a geada; flutuavam largos vapores e o sol mostrou-se. Viu reluzir lá ao longe um lago gelado, que parecia de chumbo. No meio estava um animal que Julien não conhecia, um castor de focinho preto. Apesar da distância, uma flecha abateu-o; e ele teve pena de não poder levar a pele. Depois, avançou por uma avenida de grandes árvores, que formavam com os cimos um arco triunfal, à entrada de uma floresta. Do bosque saltou um cabrito, numa encruzilhada apareceu um ganso, um texugo saiu de um buraco sobre a relva, um pavão armou a cauda; e depois que a todos matou, outros cabritos se apresentaram, outros gansos, outros texugos, outros pavões, e melros, galos, doninhas, raposas, ouriços-cacheiros, linces, uma infinidade de animais, cada vez mais numerosos. Giravam em torno dele, trêmulos, com um olhar pleno de suavidade e súplicas. Mas Julien não se cansava de matar, ora retesando a balestra, ora desembainhando a espada, ora espetando com a faca de mato, e não pensava em nada, não se lembrava fosse do que fosse. Andava à caça num país qualquer, havia um tempo indeterminado, pelo simples fato de sua existência, e tudo se realizava com aquela facilidade que se verifica nos sonhos. Mas deteve-o um espetáculo extraordinário. Veados sem conta enchiam um vale em forma de circo; e apinhados, chegados uns aos outros, reciprocamente se aqueciam com o bafo que se via fumegar no nevoeiro. A esperança de uma tal carnificina sufocou-o de prazer durante alguns minutos. Depois desceu do cavalo, arregaçou as mangas e pôs-se a matar", narrou-me com pujança Gustave Flaubert em La légende de Saint Julien l'hospitalier, MDCCCCX.

Alors, l’Europe. Alors, l’Europe.

Alors, l’Europe. Alors, l’Europe.
Um comentário:
adiante, em Herodíade:
"Ah! És tu, Jezabel!
Conquistastes o seu coração com os estalidos do teu calçado. Relinchavas como uma égua. Instalastes tua cama sobre os montes, para realizar teus sacrifícios.
O Senhor há de arrancar teus brincos, teus vestidos, tua púrpura, teus véus de linho, as pulseiras dos teus braços, os anéis dos teus pés, e as luas crescentes de ouro que tremem sobre tua fronte, teus espelhos de prata, teus leques de penas de avestruz, os chapins de nácar que alteiam a tua estatura, o orgulho dos teus diamantes, os perfumes dos teus cabelos, a pintura das tuas unhas, todos os artifícios da tua maciez; e não haverá pedras bastantes para lapidar a adúltera.
[...]
Estende-te no pó, filha da Babilônia! Manda moer a farinha! Tira teu cinto, descalça teu sapato, arregaça-te, atravessa rios! A tua vergonha será descoberta, o teu opróbio será visto! Teus soluços quebrarão teus dentes! O Eterno detesta o mau cheiro dos teus crimes! Maldita! Maldita! Que se arrebente como uma cadela!"
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