Quando Jesus Cristo voltar... O levarei ao campo de batalha, mataremos as belas e ricas e virgens para transformar o mundo num lugar puro. Alors, on attend juste notre saison au paradis.
Ele foi embora, e só voltou quando eu já tinha me decomposto. É claro, não fui bom banquete pros vermes: minhas certezas eram artesanais. Ele me deixou, e só voltou para buscar meus ossos. Colocou-os dentro da fronha, do embrulho da espera. Agora ele dorme, agora ele continua dormindo abraçado comigo, que sou seu travesseiro, que sou seu cemitério. Quando ele tem insônia, nós nos deitamos no gramado. Ele acaricia as falhas da minha coluna, brincando de tear, enquanto finjo que amarro seu cadarço, que sou seu sonífero, que risco a pupila do céu.
"- I know how to play now. Who taught you? - My father. - You still have a dad at your age? - Yes. - My father left me before I was born. Where's your father? - I've abandoned him."
* imagens: "minha mãe que me deu" (com sotaque, tchê).
Alors, "unkle Kim, the water returned as always, nourishing the land, giving us fish, but rotting everything, men and buffaloes, the living and the dying".
Finalmente fui convencido de que Jean-Luc Godard é o mesmo que superlativo. Le Petit Soldat, 1963, o último que assisti na jornada, tem essa seqüência magnífica.
1:18 "A fotografia é a verdade e o cinema é a verdade, 24 vezes por segundo." [...] 5:27 "- Os russos estão sempre estudando. - Quê? - Os russos estão sempre estudando. É estranho que queira ser atriz. Ela acendeu um cigarro, e me perguntou porquê. - Por quê? - Todos os atores são idiotas. Desprezo-os. Na verdade, se lhes dizem que riam, riem. Se lhes dizem que chorem, choram. Se lhes dizem que andem de quatro patas, o fazem. Acho grotesco. - Não vejo porquê. - Não sei. Não são gente livre. - Olhe. - Que? - Um ator." Depois há a conversa sobre música clássica e a dança encantadora de Anna Karina e em seguida o "jeux d'enfants". Cerca de meia-hora depois: "A tragédia, hoje em dia, é a política." & "- Verônica... Por que não diz algo? - Não sei o que dizer. - Diga mentiras, diga que não está triste por eu ir. - Não estou triste por você ir. Não estou apaixonada. Não me encontrarei com você no Brasil. Não te beijarei ternamente. Fiz as malas e fui a Zurique. Já não eram as luzes de Genebra, mas sim as de Rio de Janeiro. E me perguntava se era feliz de sentir-me livre ou livre de sentir-me feliz."
Entretanto, destaco as cenas de luta/violência em seis filmes: Destaco e fico me perguntando se elas são patéticas porque foram pensadas para assim serem ou simplesmente assim saíram. Era proposital ou era Godard o tipo de sujeito que nunca brigou na vida? Ou ainda, seria culpa da velocidade da narrativa? Da proposta (de montagem) Nouvelle Vague? Não sei responder. Por outro lado, agradeço Muzulon por me arranjar cópias dos três filmes que me introduziram ao.
Melhor ainda é ficar com a bela onipresente Anna Karina em Le Pedit Soldat dizendo: "Po-di sim!" Qualquer coisa.
* imagens: screen shots da clandestinidade.
Alors, ta ligne de hanche, ma ligne de chance, quelle importance?