quinta-feira, 28 de maio de 2009

ex animo dicere XVII*, XVIII

* Acompanhava David Foenkinos nos primeiros momentos d'O potencial erótico de minha mulher quando me deparei com um complemento para o post anterior:

"Hector tinha treze anos quando descobriu a futura mulher do irmão, e sonhou por um instante que ela se encarregaria de sua educação sexual. Esquecera-se de que nossas vidas tinham se tornado romances do século XX; em outras palavras, a época dos desvirginamentos épicos do século XIX tinham se encerrado".

Adiante!
Sejamos prazerosamente cínicos neste décimo oitavo "dizer com sinceridade" e mencionemos outras duas passagens, agora húngaras. Na primeira que na verdade não vem a ser a segunda nem outra coisa, Ferenc Molnár discorre sua prosa sobre O poste de vapor.

"Certa manhã em que fui obrigado a ficar no hotel porque durante a noite nevara tanto que não havia dinheiro no mundo que fizesse um trenó chamado por telefone vir da cidade para nos levar ao centro, eu acabava de ligar a pequena estufa de ferro quando ele entrou.
- Você escreve histórias no jornal?
- Também.
- Pois eu vou lhe contar a história do meu sobretudo de hussardo, e depois, se quiser, pode escrevê-la. Mas não revele o meu nome, ou eu mato você."

Em seguida evoco Gyula Krúdy, apressado e preciso na pena roxa, para me guiar ao lado d'O companheiro de viagem de trem.

"(... Viajávamos à luz da lua, as árvores, como saias enfileiradas, nos acompanhavam, as raposas invisíveis que, como num enigma, desapareciam para sempre ante o olhar dos caçadores, latiam nos campos claros, os gansos selvagens alçavam vôo, içando um tom prateado na distância, podia-se imaginar que na estrada cinzenta junto aos trilhos caminhavam pessoas infelizes à sombra de copas que se moviam no ritmo de um coração lento, apareciam casebres brancos como cães deitados, um pavio ardia detrás de uma janela com recorte em folha, talvez acabassem de matar alguém ou um velho camponês agonizante balbuciasse as últimas palavras; como a tristeza, a chuva nos alcançou, e da noite escura lançava lágrimas sobre a janela impiedosa; "onde estarão aqueles que amo?", pensei tiritante, como se nunca mais fosse ouvir a fala agradável das bocas queridas, mas apenas as palavras tristes de meu companheiro de viagem, que zumbiam em torno de minha cabeça como se a morte lesse a Bíblia.)"

ALORS, PASSEZ LE CRI
!!!

2 comentários:

Sabrina disse...

acruzdemaltahabitaosseteburacosdaminhacumplicidadeetransitaforadosomaioredomenorprasecomporemsilenciosdecantodebar

nhanhá disse...

as vezes meus amigos também zumbem em torno da minha cabeça mas nao leem a biblia só balbuciam "zzzzzz..."