quinta-feira, 25 de junho de 2009

ex animo dicere XX

Vinte! Vinte Ex Animo Dicere no AAAE. Ou dois ponto zero como preferem os morons online. Parece algo especial, não? Então vou cantar.
"No cume da montanha vejo uma coisa preta:
Será bosta de vaca ou será a minha amada?"
Dusan Makavejev, adoro te seqüestrar.
"De meu túmulo nascerão mil cavalos.
De meu túmulo nascerão mil cavalos.
De meu túmulo nascerão mil cavalos."

Foda-se.
Fiz um texto comemorativo.

::::: A Alva Albanesa Alcoólatra :::::

Ao amanhecer, Ana, a albanesa, acordou. Aspirou ar. Assimilou areia. Anotou algo aqui, ali, assim, assado: aliterações ao acaso. Abriu a alma. Arreganhou armários. Arremessou abajures. Abriu as asas. Arriou-se, abatida, afinal. Ainda assim, altamente alterada, Ana anunciou-se a Alberto:
– Ah, amor! Amor? Antevejo-te apalpando-me, anjo. Além. Ah, abominável acontecimento!
Alberto, autoritário, apolítico, analfabeto, ausculta Ana atentamente. Ademais, alheio ao azo, aquiesce àquela anunciação. Adota a animação a-morosa:
– Ana, aurora aveludada! Anda, amor! Anda ali, Ana, ali a aldeia ávida a acolherá amorosamente.
– Acompanha-me, Alberto. Ah! Aconchega-se, anjo adiposo. Aí amaremo-nos até as axilas azedarem, as ancas arderem – anunciou Ana, algo ambígua.
Ambos aparentavam aturdimento ao andar. Aéreos, alcançaram abieiro. Ali amaram-se aderentemente. Ao acabarem, avistaram algo acima. Acharam a anarquia anunciada: A.A. (Alcoólicos Anônimos).
– Abracadabra, Ana. Achamos a abadia – Alberto avisou, abalroando-se abertura adentro.
Ana acompanhou-o, anatematizada, abalada.
– Aguardente, amigo acólito. Agora! Anularei as aliterações abusivas, as adjetivações abomináveis. Abasteça-me. Alberto, amor, álcool, amor. Ah! Ajudem a abeberar-me, Alberto – Ana abaixou-se, asfixiada, as ancas ardendo, a alma aberta – Aguardente, amigo abade. Agora! A Albânia, aquela alma, aquelas asas. Amigo, a aurora aparece...
Ana anoitece.

Alors, alors, alors...
Passez!!


* imagem: precisa dizer?

Um comentário:

nhanhá disse...

admirável,
amanda.