
Então, ao sul do setembro mais azul de 1897, surgiu este sujeito chamado Georges Bataille. Depois dele, as libertinagens ficaram mais profusas. Em poesia psicanalista também.
"A partir dessa época. Simone adquiriu a mania de quebrar ovos com o cu. Para isso, colocava a cabeça no assento de uma poltrona, as costas coladas ao espaldar, as pernas dobradas na minha direção enquanto eu batia punheta para esporrar em seu rosto. Só então eu punha o ovo em cima do buraco: ela se deliciava a mexer com ele na rachadura profunda. No momento em que a porra jorrava, as nádegas quebravam o ovo, ela gozava, e eu, mergulhando o rosto no seu cu, me inundava com aquela imundície abundante."
Várias páginas de pura beleza se seguem, mas vamos adiantar o clímax.
"Ela me levou até o morto e, ajoelhando-se, levantou as pálpebras e abriu completamente o olho sobre o qual a mosca havia pousado.
– Você está vendo o olho?
– E daí?
– É um ovo – disse ela, com toda a simplicidade.
Insisti, perturbado:
– Aonde você quer chegar?
– Quero me divertir com ele.
– E o que mais?
Levantando-se, ela parecia incendiar-se (estava, então, terrivelmente nua).
– Escute, Sir Edmond, quero que você me dê o olho já, arranque-o.
Sir Edmond não estremeceu, tirou uma tesoura da carteira, ajoelhou-se, recortou as carnes, depois enfiou os dedos na órbita e extraiu o olho, cortando os ligamentos esticados. Colocou o pequeno globo branco na mão de minha amiga.
Ela contemplou a extravagância, visivelmente constrangida, mas sem qualquer hesitação. Acariciando as pernas, fez o olho escorregar por elas. A carícia do olho sobre a pele é de uma doçura extrema... com algo de horrível como o grito do galo!
Simone, entretanto, divertia-se, fazendo o olho escorregar na rachadura da bunda. Deitou-se, levantou as pernas e o cu. Tentou imobilizar o olho contraindo as nádegas, mas ele saltou – como um caroço entre os dedos – e caiu em cima da barriga do morto.
(...)
Levantando-me, afastei as coxas de Simone: ela jazia no chão, de lado; encontrei-me então diante daquilo que – imagino – eu sempre esperara: assim como a guilhotina espera a cabeça que vai decepar. Meus olhos pareciam estacados de tanto horror; vi, na vulva peluda de Simone, o olho azul-pálido de Marcela a me olhar, chorando lágrimas de urina. Rastros de porra no pêlo fumegante conferiam a esse espetáculo um aspecto de dolorosa tristeza. Mantive afastadas as coxas de Simone: a urina ardente escorria por baixo do olho, sobre a coxa estendida no chão..."
(BATAILLE, Georges. Histoire de l'oeil, 1928, p. 29, 84, 85).

Alors, passez l'érotisme!
* imagens: I got 'em from my mama.
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