quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ex animo dicere XXXXIX



Então, ao sul do setembro mais azul de 1897, surgiu este sujeito chamado Georges Bataille. Depois dele, as libertinagens ficaram mais profusas. Em poesia psicanalista também.

"A partir dessa época. Simone adquiriu a mania de quebrar ovos com o cu. Para isso, colocava a cabeça no assento de uma poltrona, as costas coladas ao espaldar, as pernas dobradas na minha direção enquanto eu batia punheta para esporrar em seu rosto. Só então eu punha o ovo em cima do buraco: ela se deliciava a mexer com ele na rachadura profunda. No momento em que a porra jorrava, as nádegas quebravam o ovo, ela gozava, e eu, mergulhando o rosto no seu cu, me inundava com aquela imundície abundante."

Várias páginas de pura beleza se seguem, mas vamos adiantar o clímax.

"Ela me levou até o morto e, ajoelhando-se, levantou as pálpebras e abriu completamente o olho sobre o qual a mosca havia pousado.
– Você está vendo o olho?
– E daí?
– É um ovo – disse ela, com toda a simplicidade.
Insisti, perturbado:
– Aonde você quer chegar?
– Quero me divertir com ele.
– E o que mais?
Levantando-se, ela parecia incendiar-se (estava, então, terrivelmente nua).
– Escute, Sir Edmond, quero que você me dê o olho já, arranque-o.
Sir Edmond não estremeceu, tirou uma tesoura da carteira, ajoelhou-se, recortou as carnes, depois enfiou os dedos na órbita e extraiu o olho, cortando os ligamentos esticados. Colocou o pequeno globo branco na mão de minha amiga.
Ela contemplou a extravagância, visivelmente constrangida, mas sem qualquer hesitação. Acariciando as pernas, fez o olho escorregar por elas. A carícia do olho sobre a pele é de uma doçura extrema... com algo de horrível como o grito do galo!
Simone, entretanto, divertia-se, fazendo o olho escorregar na rachadura da bunda. Deitou-se, levantou as pernas e o cu. Tentou imobilizar o olho contraindo as nádegas, mas ele saltou – como um caroço entre os dedos – e caiu em cima da barriga do morto.
(...)
Levantando-me, afastei as coxas de Simone: ela jazia no chão, de lado; encontrei-me então diante daquilo que – imagino – eu sempre esperara: assim como a guilhotina espera a cabeça que vai decepar. Meus olhos pareciam estacados de tanto horror; vi, na vulva peluda de Simone, o olho azul-pálido de Marcela a me olhar, chorando lágrimas de urina. Rastros de porra no pêlo fumegante conferiam a esse espetáculo um aspecto de dolorosa tristeza. Mantive afastadas as coxas de Simone: a urina ardente escorria por baixo do olho, sobre a coxa estendida no chão..."
(BATAILLE, Georges. Histoire de l'oeil, 1928, p. 29, 84, 85).

Alors, passez l'érotisme!




* imagens: I got 'em from my mama.

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