::::: chicken poets :::::
Na saída do estacionamento parei ao lado do carro dessa mulher. Abaixei o vidro e, fervorosamente cego, cutuquei seus olhos de isopor e afirmei:
– Sou poeta.
– ...
– Escolha uma poesia de qualquer autor que goste e eu a recitarei.
– Chanson de la plus haute tour, de Rimbaud – previsivelmente respondeu, em límpido francês glacial, não comestível.
– Ah, deixa pra lá.
Engatei ré e voltei. Esperaria outra mulher, mais fácil, mais burra; cujo corpo eu pudesse experimentar em falso silêncio. Afinal, as palavras são reis sem poderes efetivos tentando acertar rainhas com rachaduras invisíveis.
2 comentários:
ah, mas depois de perceber que as palavras não dariam certo facilmente, você ainda podia tentar duas coisas antes de dar a ré, como diria o Sr. Neném Destroyer: "chegar encoxando no calor do momento"... ou "chamar pra beber sem oferecer pagar nada".
nenê é nenê. eu nem nasci ainda, bicho. #funk
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