sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

a patetice, isto é, a amizade - verdades breves XLI

::::: sonho de moça :::::

Essa garota pequena de cachos igualmente miúdos andava de um jeito engraçado. Numa espécie de ritual contínuo, virava o pescoço para fazer o cabelo dançar. Esquerda e direita, e avante. Depois sorria serena. Depois se repetia, se sentava. Assim, ressoando, no aconchego de um suco, percebi que seus óculos de cor rosa me refletiram enquanto fiquei naquela mesa fingindo não vê-la. O rádio foi ligado. A Voz do Brasil me lembrava Woody Allen, o divertido hipocondríaco. A “morena simpática” da outra mesa fingia reclamar quanto a fumaça da churrasqueira, mas por dentro sorria já que os cachos da pequena também ficariam fedidos e a atenção agora era dela. Outras pessoas, outras culturas, outras referências de grunhidos, outras misérias avançadas. Mas São Google, em quais megahertzs andará Toni Braxton?

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