terça-feira, 1 de dezembro de 2009

a patetice, isto é, a amizade - verdades breves XXXII

::::: hei yan quan :::::

Nem eu.

a patetice, isto é, a amizade - verdades breves XXXI

::::: falling down :::::

Na minha frente só tinha esse cara. Queria que ele fosse bastante ágil, assim eu seria o próximo da fila antes que o chão amolecesse de vez. Na pressa, vi o saldo do sujeito sem a intenção de. Lá estava, brilhando como uma bomba mesquinha: $umsaláriomínimo. Diante dos números, ele parou e pensou por alguns segundos. Pôs-se, em seguida, a bater violentamente a cabeça no caixa eletrônico. Algumas mulheres gritaram e debandaram da fila. Eu o aplaudi, sorridente. Nada mais honesto, nada mais real que Um Dia de Fúria.

a patetice, isto é, a amizade - verdades breves XXX

::::: dreams :::::

Está ontologicamente provado: Kurosawa mora no meu subconsciente. Desde que dormi assistindo Dreams, Kurosawa mora (e não sai) daqui. Tamanha verdade inegável sobreveio-me muitos anos após o ocorrido. Em um daqueles alvoreceres de idéias contraditórias onde rememoramos todas as próprias pretéritas opções transcendentais. Logo, várias de minhas ações, melodias e produções partiam, inconscientemente, das proposições de “nossos” Sonhos.
Foi aí, então, chegando a tal fatal conclusão, que dormi por dez dias de saudade. Quando acordei nada havia mudado. O mundo prosseguira, indiferente, firme, em fogo. O céu estava lá, eu estava lá, o prazo de validade era ignorado, tudo estava se deteriorando, o ventilador girava e os pescoços também. Fiquei tão feliz que matei “meus” sonhos sobressalentes.

a patetice, isto é, a amizade - verdades breves XXIX

::::: gegen die wand :::::

Não era um bem sucedido crash test Contra a Parede ou dados rolando no asfalto do cassino. Éramos eu e McArthur, dois risonhos sentimentais, capotando o carro ao som de Molten Light.

a patetice, isto é, a amizade - verdades breves XXVIII

::::: cherry falls :::::

Loralee Sherman era a garota que foi brutalmente assassinada no banheiro do bar que Fran me levou na noite em que o uísque estava na promoção. Depois que ela morreu, seu nome começou a aparecer em diversos banheiros de outros bares distantes. Assim nasceu o mistério, a lenda, a imundície toda. Às vezes, nós mesmos espalhávamos seu nome pelas cercanias só para ele não ser esquecido pelos medrosos. Fato é que a garota Macapaense teve um ataque depois de cinco doses de uísque. Descabelada, na iminência de sua detenção temporária, começou seu plagiado espetáculo: Cherry Falls.
– Vocês não podem fazer isso! Sou advogada e trabalho numa delegacia – empurrou um oficial para provar que conseguia se manter em pé sozinha – Além do mais, meu pai é madeireiro. Ele pode mandar matar vocês em dois segundos...

a patetice, isto é, a amizade - verdades breves XXVII

::::: besouro :::::

Deitou e amanheceu morto com um besouro na boca. Alguém disse que na noite anterior, ele incinerou meia dúzia de besouros na fornalha. Então notamos o jeito que o falecido dormia. Parece que já sabia que morreria. Mãos dobradas sobre o peito. Roupa de velório. Sorriso forçado na cara. Sapatos calçados. Quando nos acostumamos com o corpo – coincidentemente assim que terminamos de rezar o terço – abrimos sua boca. Os besouros estavam vivos, falantes, e nos disseram: Bom dia, Exú Porteira!

a patetice, isto é, a amizade - verdades breves XXVI

::::: alfie :::::

Por que pneus se esvaziam quando não utilizados e a louça e as roupas e a casa não se lavam sozinhas e o telhado e o computador e o carro não se consertam sozinhos e a comida não se multiplica na geladeira e no fogão e no estômago e o dinheiro não nasce na carteira ou não brota em árvore e o sol não se cansa de cair sobre minha cabeça e a chuva não desiste de prosseguir sujando meus pés de barro e a mulher que eu amo não começa a me amar agora fazendo com que eu pare de ser pateticamente ridículo?
Estou me sentindo Jude Law no papel de Alfie. A partir do momento em que ele (percebe que) se fodeu, claro.

a patetice, isto é, a amizade - verdades breves XXV

::::: another day in paradise :::::

Assim estava escrito no papel que o traficante me entregou, por vinte pratas:
“Dois pedaços de papel. Duas espadas de São Jorge. Três velas brancas. Escreva três vezes o nome da pessoa amada em cada papel. Amarre um deles em cada espada. Uma delas vai para dentro da fronha. A outra espada será deixada ao lado das velas enquanto essas queimam, uma por dia. Ao fim do terceiro dia a pessoa amada será sua”.
Dito isso, ficamos assim:
1) Ela não fez a simpatia. Está presa. Riscava o carro do não-amado quando o flanelhinha percebeu e mobilizou um esquadrão de bêbados para contê-la até a polícia chegar.
2) Ele fez. Deu tão certo que andou comendo inclusive a mulher do patrão – a pedido do mesmo. Durante o ato, o manda-chuva só se masturbou e tirou fotos.
Larry Clark que se cuide. Estou à solta. Com a boca espumando.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ex animo dicere LXV

"Ele é São Ernesto de la Higuera", disse-me o devoto.
"Nunca escutei comentários de que ele tinha uma arma. O comentário que se ouvia é de que ele tinha um livro, e que esse livro era mágico. Muito gente dizia que, se ele tivesse tido tempo de ler seu livro, não teriam conseguido matá-lo". "Por quê? O que ele faria?" "Diziam que esse livro era mágico. Que ele lia algumas palavras em suas páginas, e se transformava numa mosca ou num passarinho", respondeu-me Juana Ocinaga, enfermeira boliviana, orgulhosa da eloqüência Guevarista de seu filho Moroni Andrade.
"As pessoas não são capazes de lutar, de arriscar suas vidas. Então querem se projetar em alguma pessoa. Como Guevara para eles foi um grande lutador, agora querem adorá-lo. Porque acham que Guevara teve a coragem que eles não tiveram", calou-os Enrique Ros, escritor cubano exilado.

Rarara. Personal Che?
Alors, passez la syndrome!

ex animo dicere LXIV


Donzoko, Ralé.
Não diga nada.
Nem em francês, nem em gromelô.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ex animo dicere LXIII


"Even though it's difficult to be a human being, let's not turn into monsters. Even though it's difficult to be a human being, let's not turn into monsters. Even though it's difficult to be a human being, let's not turn into monsters", repetiram-me três vezes em momentos distintos em Turning Gate.
Alors, passez le portail!




* imagem: pôster divulgação.

iura in re aliena V

do savoir-faire.
de mil tsurus.

iura in re aliena IV

do know-how.
de uma queda.