::::: circunstâncias adversas de uma segunda-feira chuvosa (ou de um dia de fúria) :::::
Para os escravos, a segunda-feira, por si só, já é um dia triste. Isso se deve ao simples fato de preceder o ócio dominical. Justo nesse dia ainda me acontece de ser ensopado com cartola, capa, cajado, graças às intempéries da natureza. Fiquei furioso como um adulto. Rapidamente, entretanto, oscilei entre esse sentimento e o oposto, a calma temperada de sabedoria infantil. Ergui, então, o cajado de ágata (louvado seja Thomas Jabril II!) e fiz surgir um trovão. Brinquei com ele um pouco para assustar as pessoas. Jogava de uma mão a outra. Upa, upa, pra lá e pra cá. Então o engoli. Logo depois fiz uma dezena de trovões e saí a saltitar, imitando Nilo, aquele asno sem tamanho.
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
Lá me fui, além-esquinas, dizendo boas parvoíces repetitivas, mirando com a ágata e lançando um trovão em cada pessoa que encontrava carregando guarda-chuva. Elas levavam choques leves. Ficavam paralisadas por trinta segundos e voltavam ao normal, ligeiramente chamuscadas, corações disparados, pernas trêmulas: retornavam às vidas chuvosas onde aquele utensílio era escudo indispensável. Deslizei por avenidas nesse festivo clima amaldiçoado. E se não estivesse com a pedra energizada molhada, faria desaparecer algumas daquelas pessoas, qual René Clair em seu Entreato Dadá. Para variar, comecei a disparar contra qualquer aglomeração ou coisa que visse ao meu redor, em filas, em circos, em congressos, em janelas, em alfaiatarias...
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
– Vocês todos são ridículos! – e fuzilei uma fileira de computadores aidéticos.
Segui assim, catalogando meu menosprezo, concedendo a verdadeira alcunha para: homem, mulher, estátua, poste, criança, cão, portão, lata, flor, paletó, espelho... Até meu repetitivo repertório verbal transformar-se num mantra entoado ad infernum dormimus.
– Você é ridículo!
Eis que de tanto falar minha saliva secou. Tive, portanto, de beber água da chuva para continuar dizendo àquele lodaçal a frase preferida de Nilo Grilo e que por cativantes momentos deu-me incomparável prazer em parafrasear.
– Você todos são...
Para os escravos, a segunda-feira, por si só, já é um dia triste. Isso se deve ao simples fato de preceder o ócio dominical. Justo nesse dia ainda me acontece de ser ensopado com cartola, capa, cajado, graças às intempéries da natureza. Fiquei furioso como um adulto. Rapidamente, entretanto, oscilei entre esse sentimento e o oposto, a calma temperada de sabedoria infantil. Ergui, então, o cajado de ágata (louvado seja Thomas Jabril II!) e fiz surgir um trovão. Brinquei com ele um pouco para assustar as pessoas. Jogava de uma mão a outra. Upa, upa, pra lá e pra cá. Então o engoli. Logo depois fiz uma dezena de trovões e saí a saltitar, imitando Nilo, aquele asno sem tamanho.
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
Lá me fui, além-esquinas, dizendo boas parvoíces repetitivas, mirando com a ágata e lançando um trovão em cada pessoa que encontrava carregando guarda-chuva. Elas levavam choques leves. Ficavam paralisadas por trinta segundos e voltavam ao normal, ligeiramente chamuscadas, corações disparados, pernas trêmulas: retornavam às vidas chuvosas onde aquele utensílio era escudo indispensável. Deslizei por avenidas nesse festivo clima amaldiçoado. E se não estivesse com a pedra energizada molhada, faria desaparecer algumas daquelas pessoas, qual René Clair em seu Entreato Dadá. Para variar, comecei a disparar contra qualquer aglomeração ou coisa que visse ao meu redor, em filas, em circos, em congressos, em janelas, em alfaiatarias...
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
– Você é ridículo!
– Vocês todos são ridículos! – e fuzilei uma fileira de computadores aidéticos.
Segui assim, catalogando meu menosprezo, concedendo a verdadeira alcunha para: homem, mulher, estátua, poste, criança, cão, portão, lata, flor, paletó, espelho... Até meu repetitivo repertório verbal transformar-se num mantra entoado ad infernum dormimus.
– Você é ridículo!
Eis que de tanto falar minha saliva secou. Tive, portanto, de beber água da chuva para continuar dizendo àquele lodaçal a frase preferida de Nilo Grilo e que por cativantes momentos deu-me incomparável prazer em parafrasear.
– Você todos são...


+-+still+04.jpg)
+-+still+08.jpg)
+-+still+14.jpg)
+-+still.jpg)






